segunda-feira, 13 de abril de 2009

Eu, muito sério, vou remando.



Queria falar de coisas mais leves, mas não estou muito leve. Queria falar mais de música. Queria falar das pessoas e de tudo o que mais amo na vida. Não consigo agora.

Não sei se é adequado citar Manoel de Barros sem leveza. Mas ele sempre me faz bem. Um de seus poemas fala de sua decepção quando, na infância, descobriu que a cobra de vidro, perto de sua casa, tinha outro nome: “enseada” - muito sem poesia, segundo ele. Há uma enseada ao meu redor. Mas nada tão triste que me impeça de estar bem ao fim do dia. Meus dias têm terminado bem. Todos têm sido de busca, de tentativa, em todos os sentidos. E tenho, sim, recebido e percebido muito em troca. Mas estou cansada, e fui obrigada a colocar alguns planos e algumas relações de molho. Especialmente as que não estão leves.

Quem é bem-vindo perto de mim sabe que é muito bem-vindo. Sempre sabe. Mas, às vezes, fico querendo entender qual a minha missão com determinados seres, saber o que eles querem de mim, ou o que eu quero deles. E não consigo entender nada. Deve ser para exercício da paciência. Aprimoramento espiritual. Queria tirar férias de algumas pessoas. Umas, só por uns dias. Outras, por uns meses. A outras, queria dizer: “Vá viver sua vida e não me siga”. Aliás, “Já Passou” é uma ótima música pra cantar pra elas. Tanta coisa em minha vida já passou, já foi... E tanta coisa já chegou... “Acredito que estou vendo uma luz do outro lado do rio”. E não vou esperar essa luz ir embora. O resto, já passou.



13 comentários:

Sofia Fada disse...

ai que lindo, a música, que eu adoro, o Manoel de Barros, que não tem explicação, e até essa leveza de colocar o que se sente para fora. sim, porque ficou leve.
e lindo.

grande beijo,
querida

Elena disse...

Que bom que gostou, Sofia! Estou tentando. Estou remando. Beijos e obrigada pelo carinho.

Aroeira disse...

quanta leveza foi o seu texto, na expressão dos seus sentimentos, das suas sensações, mesmo ele salpicado de tristeza nas entreletras - esta, sim, de maior peso (a tristeza carrega uma densidade louca no seu semblante tênue). você manoel-barrosou, transformando uma bigorna em pássaro preto.
força!
bjo

Elena disse...

Valeu, Aroeira. Bom ver você por aqui de novo. Sempre trazendo coisas boas. Obrigada, beijos.

Maki disse...

Tristeza em forma pungentemente suave. Toda a grandeza de expor seus amores através de seus pesares. Grande, gigante. Atendo a voz que me chama, e, também, continuo remando.

Beijo.

Elena disse...

Gigante, você é. Tristeza, suaviza. Grandeza, traz.
Beijos nos olhos puxadinhos.

Anônimo disse...

Ei, Elena!
Senti leveza e força emergindo das suas palavras. Continue com fé, que vem coisa boa por aí. Cuide-se bem.
Beijos,
Dea

Elena disse...

Beijos, minha querida Dea. Ah, gostei tanto de te ver... sempre gosto.

Anônimo disse...

Não sou menina dada às letras, aliás, sem parenteses algum, nem sei pra que dou! rsrrs... Mas isso não importa agora. Me importa sim essa tristeza que não é Elena... Esses olhos de vidro, cobra de vidro, que não é Elena. Pessoa farta de brilho e sorriso! Acho até que prefiro você enseada, ainda que sem poesia nas palavras, verdadeira no existir! Bj, Roberta

Elena disse...

Ei, querida. Também prefiro quando não há tristeza, mesmo que isso me custe a falta de poesia. Mas tristeza também combina comigo. Ainda que seja pra escrever ou pra cantar música de fossa. E, se ainda não passou, vai passar. Sempre é assim. Obrigada pelo carinho de sempre.

Robson Ebaid disse...

Tá escrevendo bem, heim? fia.
Eu li o "Pela curiosidade de ver onde o sol se esconde." Daqui a pouco, tá de livro na praça.

Elena disse...

Obrigada, amigo. Que bom: agora que você tem blog, vai me visitar. Besos.

Elena disse...

Mais um no Miçangas.